Nasci no final dos anos 60 em terras de Cambra e chamo-me Teresa.

Os meus pais, António e Maria, na altura, entregues a um amor imenso, e em que a procriação era algo sagrado, geraram oito filhos, e eu, sou a mais nova. Escolheram o meu nome, porque nasci na véspera do dia de Sta. Teresinha, no dia 3 de Outubro.

Mais tarde, começaram a nascer os meus sobrinhos, tinha oito anos quando nasceu o primeiro, o Nuno, e depois, já devem imaginar, com tantos irmãos foi sempre a crescer esta corrente de amor que os meus pais geraram. Hoje são dezasseis netos e já oito bisnetos, e não vai ficar por aqui.

E isto, para vos contar, que com o nascimento dos sobrinhos, o nome Teresa, teve outras nuances, era difícil de pronunciar, já estão a imaginar como uma criança pronuncia o nome Teresa, e eu não gostava nada daquela palavra… então, a certa altura, uma irmã teve a ideia genial, e não é por acaso, porque ela é mesmo brilhante, a Clara, começou a chamar-me Zinha (de Terezinha), e assim permaneceu. Sou a Zinha para a família.

Para a minha paixão, para o meu mais que tudo, sou: tropa da vida, comparsa (de cúmplice), swag delicioso, mamy, e mãe… é assim que o meu filho me trata, tem sempre “nomes”, para mim. E eu amo isso nele… O meu filho Tiago.

Em criança brincava muito sozinha, num mundo imaginário, criando cenários, teatrinhos e encenava todos os papéis. Recordo-me de usar as divisões da casa como espaços para diferentes atos, de calçar os sapatos de saltos altos da minha irmã Linda, de pegar no livro de cânticos e de fingir que participava no grupo coral da paróquia, como ela, e cantava, cantava e desafinava.

Recordo-me também, de brincar com o meu irmão Zé, o sétimo filho, no mato, era assim que chamávamos ao pinhal que existia junto a nossa casa, lutávamos contra as árvores, construíamos esconderijos, fantasiávamos histórias do D. Quixote de La Mancha e do Tarzan, recordo-me também da coleção de cromos que fizemos juntos, da série do “espaço 1999” e da cola que usávamos, feita com farinha e água.

Tímida, muito observadora, ficava às vezes invisível aos olhos dos outros, ficava tempos simplesmente a olhar, a tentar penetrar no mundo de quem observava, tentar perceber o que ali se passava, a tentar sentir o que elas sentiam.

Porquê o amor?

E eu pergunto: haverá outra força mais mobilizadora do que o amor?

Tenho em mim esta curiosidade inexplicável, sobre o tema, não sei o porquê. Talvez tenha a ver com as minhas origens, de fazer parte de uma intensa e grande corrente de amor, que os meus pais geraram. E AMOR, foi também a primeira palavra que aprendi a escrever, antes do meu nome, Teresa.